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Nascimento

25/01/1927

Local de Nascimento

Rio de Janeiro, RJ

Participações

Compositor (a), Intérprete, Arranjador (a), Instrumentista

TOM JOBIM (Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim) – Rio de Janeiro RJ – 25/01/1927 – Nova York, EUA – 08/12/1994
Pianista e compositor, considerado um dos criadores da Bossa Nova (ao lado do parceiro Vinicius de Moraes e do cantor e violonista João Gilberto), aprendeu os fundamentos musicais com o alemão Hans-Joachim Koellreutter (na adolescência) e, já adulto, com a professora Lúcia Branco – outros mestres citados por Tom são Paulo Silva, Tomás Terán, Alceo Bocchino e Leo Peracchi. Os primeiros trabalhos surgem no início da década de 1950, como músico da noite (nos bares e nas boates de Copacabana) e como copista da Editora Euterpe e da Continental Discos – onde se aproxima de Radamés Gnattali, que se tornará grande amigo e incentivador de sua carreira. A partir do encontro com Vinicius de Moraes (com quem faz as músicas da peça Orfeu da Conceição, em 1956), começa a se destacar como compositor, especialmente a partir do samba Chega de saudade (com Vinicius), gravado duas vezes em 1958 – por Elizeth Cardoso e João Gilberto – e apontado como marco inicial da Bossa Nova.
Entre suas principais contribuições para este novo samba estilizado que se estabelece na virada das décadas de 1950 e 60 estão um novo padrão harmônico que ele ajuda a consolidar (a partir do que já era feito por Garoto, Johnny Alf e João Donato, entre outros músicos) e também seu piano “econômico”, como definiu em entrevista a Mário Adnet e Antônio Carlos Miguel (O Globo, 05/12/1999): “Sempre tentei ser conciso com as notas, usando poucas e boas, numa tentativa de fazer algo que significasse alguma coisa”. Depois de emplacar seu maior sucesso como compositor (o samba Garota de Ipanema, com Vinicius de Moraes, em 1962), se estabelece nos Estados Unidos e ganha projeção internacional, com discos como o que faz ao lado do cantor norte-americano Frank Sinatra, em 1967, um ano antes de vencer o 3º Festival Internacional da Canção (FIC), com a música Sabiá, em parceria com Chico Buarque.
Outros grandes sucessos de Tom Jobim como compositor são Desafinado (com Newton Mendonça, 1959), Dindi (com Aloysio de Oliveira, 1959), Wave (1964), Águas de março (1972) e Retrato em branco e preto (1968) – esta última com Chico Buarque, que no futuro homenageará o amigo e parceiro na primeira estrofe de sua Paratodos (1993): “Meu maestro soberano foi Antônio Brasileiro”.
Já entre as referências de Tom Jobim está Pixinguinha, como o pianista dirá em entrevista ao Pasquim, em 30 de outubro de 1969, quando relembra que seu primeiro contato com a música se deu através dos tios Marcello Brasileiro de Almeida (irmão de sua mãe) e João Lyra Madeira (marido de sua tia): “Eu tenho dois tios que tocavam violão. O repertório que ouvi deles, você deve conhecer, é aquele repertório básico da música popular brasileira: Pixinguinha, Noel Rosa, Ernesto Nazareth, Custódio Mesquita, tudo o mais”. O nome de Pixinguinha será citado em muitas entrevistas e depoimentos de Tom, como o que constou do programa Brasil Especial – Pixinguinha, exibido pela Rede Globo em 1976: “Eu posso dizer com segurança que o Pixinguinha era um gênio. Considerado como tal pelos colegas e também no coração do povo”.
Das composições do chorão, a única a entrar na discografia de Tom Jobim foi Carinhoso (parceria com João de Barro), gravada no álbum Tide, feito em 1970 nos Estados Unidos (CTI/A&M Records). No livro Antônio Carlos Jobim: uma biografia, Sérgio Cabral faz um relato sobre os bastidores da gravação: “Eumir Deodato, que criou um arranjo original para Garota de Ipanema, escreveu um Carinhoso com toda a pinta de quem absorveu sugestões de Jobim. A música, por sinal, agradou muito aos músicos norte-americanos, que pediram uma cópia da partitura a Tom, pensando que Carinhoso também fosse dele”. O maior sucesso de Pixinguinha seria o primeiro citado por Tom numa entrevista a Sérgio Bittencourt (O Globo, outubro de 1969), quando este lhe pede para listar dez músicas brasileiras que, segundo ele, mereceriam nota dez.
Carinhoso é também uma das músicas tocadas pelo pianista no programa A música segundo Tom Jobim, que ele apresentou na TV Manchete em 1984, no qual diz se orgulhar do “privilégio de privar com ele, de tomar chope com ele”, que era “uma criatura maravilhosa, muito amigo de Radamés, muito amigo de todo mundo”. Um dos encontros com o chorão seria lembrado por Tom em depoimento ao produtor Fernando Faro em 1993, no programa Ensaio, da TV Cultura: “Nós fomos na casa do Pixinguinha quando ele morava naquela casa, na Rua Pixinguinha. Eu fui lá com o Chico Buarque. Tenho fotografia ainda! E ele já estava querendo vender o piano: ‘Ô, Tom Jobim... Quanto é que você dá nesse piano aí?’”, relembra Tom, antes de cantarolar e dedilhar no piano a primeira parte do choro Naquele tempo.
Outra boa história de Tom que passa pela admiração por Pixinguinha está contada no livro Antônio Carlos Jobim: uma biografia: trata-se uma passagem de 1969, quando o pianista vinha se exercitando na flauta – instrumento que costumava levar a tiracolo por onde quer que fosse. Até que, “num bar de Ipanema, apareceu um desses conjuntos musicais populares que percorrem a orla da zona sul tocando para os boêmios e recolhendo dinheiro no chapéu. Tom Jobim perguntou aos músicos se sabiam tocar alguma coisa de Pixinguinha e eles sabiam. Tocaram juntos várias músicas. O violonista, que parecia ser o chefe do grupo, entusiasmou-se com a habilidade do flautista e convidou-o a incorporar-se ao grupo, com a garantia de que ganharia, por noite, no mínimo, cinco cruzeiros. Antônio Carlos Jobim não aceitou o convite e apresentou os motivos da recusa: ‘É que eu moro longe e minha mulher não quer que eu me meta nesse negócio de música’”.


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Título Autores Intérpretes Acompanhamento Ver Mais
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Carinhoso
Gravadora: A&M Records Nº do Disco: A&M 2109 Data de Lançamento: 1974 Mídia: LP
Pixinguinha, João de Barro
Tom Jobim (Piano)
Conjunto (Diversos)
Carinhoso
Gravadora: Som Livre Nº do Disco: 1030-2 / 1031-2 Data de Lançamento: 1997 Mídia: CD
Pixinguinha, João de Barro
Tom Jobim
Carinhoso
Gravadora: CTI/A&M Records / A&M Records/Odeon Nº do Disco: SP 3031 / AM 2068 Data de Lançamento: 1970 Mídia: LP
Pixinguinha, João de Barro
Tom Jobim

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