Música listada como “inédita” de Pixinguinha no livro Filho de Ogum Bexiguento de Marília Barbosa e Arthur Oliveira (Rio de Janeiro: Funarte, 1979). No Acervo Pixinguinha/IMS existe um manuscrito do próprio, sem indicação de título ou autoria, no qual foi aposta por terceiros a inscrição: “Valsa Tristeza, de Pixinguinha”.
Em 1976, a valsa foi publicada com o nome de “Lua Tristeza”, pela Editora Arapuã, com uma letra de Ciro Porto e a autoria indevidamente creditada a Pixinguinha, que falecera três anos antes. Na verdade esta valsa se chama “Tupi” e é de autoria de Chiquinha Gonzaga, como pode ser comprovado pelo manuscrito para piano presente em seu Acervo no IMS (CG_46_06_001). Neste manuscrito, autógrafo pela própria compositora e sem indicação de data, consta o título “1ª valsa” – modificado quando da publicação da peça na coleção "Alma brasileira", em 1932.
Durante muito tempo esta valsa foi atribuída a Alfredo Vianna (pai) – seria a única composição do pai de Pixinguinha. Algumas evidências apontavam nesta direção. Há, por exemplo, um manuscrito do próprio Pixinguinha, encontrado no acervo do pesquisador Paulo Tapajós, que traz a o título de “Serenata” e a inscrição “música de Alfredo da Rocha Vianna (pai)”. A mesma indicação de autoria aparece em outro manuscrito no Acervo Almirante, intitulado “Tristezas não pagam dívidas”, sem a terceira parte da valsa – este serviu de referência para a gravação realizada na coleção Choro Carioca Música do Brasil (Acari Records, 2006).
Não é improvável que Alfredo Vianna pai tocasse esta valsa em sua flauta, nas famosas rodas de choro da infância de Pixinguinha na Pensão Vianna – reminiscências que podem ter levado o filho famoso a se confundir em relação à autoria da peça.