MÁRIO REIS (Mário da Silveira Meirelles Reis) – Rio de Janeiro RJ – 31/12/1907 – Rio de Janeiro RJ – 5/10/1981
Cantor de destaque nas décadas de 1930 e 40, iniciou-se na música como aluno de violão de José Barbosa da Silva – o Sinhô (1900-1930), compositor das duas canções com que Mário fez sua estreia fonográfica, na Odeon, em 1928: o samba Que vale a nota sem o carinho da mulher? e o “romance” Carinhos de vovô. Desde suas gravações iniciais, chamou atenção o seu modo completamente original de cantar: tirando proveito do recém inventado microfone (1927), Mário Reis cantava com uma projeção semelhante à de quem fala: um canto coloquial, como se dissesse as músicas, contrapondo-se ao canto-padrão da época (com projeção e impostação à moda operística). Pois este contraste foi justamente um dos atrativos da dupla que formou com Francisco Alves, com quem gravou 24 músicas em dueto na Odeon, entre 1930 e 32, entre elas os grandes sucessos Se você jurar, O que será de mim (ambas de Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves) e Fita amarela (Noel Rosa).
Foi a convite de Pixinguinha que – em 23 de novembro de 1932 – assinou contrato com a Victor, onde seguiu lançando sucessos, gravados com os diferentes conjuntos dirigidos por Pixinguinha. Com o Grupo da Guarda Velha, Mário gravou A tua vida é um segredo (Lamartine Babo), Fui louco (Noel Rosa e Bide) e Linda morena (Lamartine Babo), todos em 1933. Do mesmo ano são as gravações dos sambas Filosofia (Noel Rosa e André Filho) e Vejo amanhecer (Noel Rosa e Francisco Alves), ambos com acompanhamento creditado a Pixinguinha e sua Orquestra.
Já com os Diabos do Céu, os maiores sucessos foram Agora é cinza (Bide e Marçal, 1933), Doutor em samba (Custódio Mesquita, 1933), Eu queria um retratinho de você (Lamartine Babo e Noel Rosa, 1933), Eva querida (Luís Vassalo e Benedicto Lacerda, 1935), Linda Mimi (João de Barro, 1935), Moreninha tropical (João de Barro, 1934), Parei contigo (Lamartine Babo, 1935), Ride palhaço (Lamartine Babo, 1934) e quatro duetos com Carmen Miranda: Chegou a hora da fogueira (Lamartine Babo, 1933), Isto é lá com Santo Antônio (Lamartine Babo, 1934), Tarde na serra (Lamartine Babo, 1933) e Me respeite, ouviu? (Valfrido Silva, 1934).
A única composição de Pixinguinha gravada por Mário Reis foi o samba Gavião calçudo (parceria com Cícero de Almeida), incluído no LP Ao meu Rio, lançado por Mário em 1965, na gravadora Elenco, todo com regravações.
Apesar da quantidade de sucessos que gravou, sua carreira foi marcada por longos períodos de interrupção – jamais explicados, embora seja sabido que em algumas ocasiões teve que participar dos negócios de sua família: Mário pertencia a uma família aristocrática – era sobrinho do empresário Guilherme da Silveira, dono da Fábrica Bangu de Tecidos. Passou os últimos 24 anos de vida residindo em um quarto do Copacabana Palace Hotel.